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fosso cada vez maior entre ricos e pobres é ruim pra todo mundo

Por que a desigualdade extrema prejudica os ricos?

Robert Peston
Editor de Economia da BBC News

“Poderíamos ter desenvolvido uma vacina para o ebola anos atrás se tivéssemos direcionado recursos para a pesquisa apropriada da doença”.

Ouvi essa frase, há alguns dias, de um cientista respeitado ─ na verdade, uma das maiores autoridades mundiais em saúde pública.

Então por que até hoje a cura para uma doença que já matou quase 10 mil pessoas apenas na África Ocidental ainda não foi descoberta?

A resposta é simples: a pesquisa não aconteceu porque o ebola foi considerado, por um longo tempo, uma doença exclusiva dos pobres – em particular da África. Sendo assim, os gigantes farmacêuticos não tinham interesse em produzir medicamentos que não lhes trariam dinheiro.

Hoje o ebola é uma ameaça global ─ e, portanto, há uma corrida maluca para encontrar algum tratamento efetivo para a doença.

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                          Estudo de consultoria britânica prevê que,em 2016, 1% mais ricos                                terão mais dinheiro do que os 99% mais pobres

O que a tragédia evitável do ebola mostra é que, em um mundo globalizado, os interesses dos ricos e pobres são muitas vezes os mesmos ─ embora seja difícil para as empresas reconhecer essa reciprocidade de interesses quando há pressão por lucros em curto prazo.

Essa solidariedade entre aqueles com pouco e aqueles com muito também se esvai quando os governos são pressionados pelos eleitores para utilizar o dinheiro dos impostos apenas em prol da saúde doméstica.

Talvez o ponto mais importante é que, quando as decisões sobre quem fica com o que ou sobre como os fundos de investimento são alocados cabem ao mercado, o resultado parece beneficiar apenas os ricos, mas a consequência dessa ação pode acabar prejudicando ricos e pobres.

Este é um forte argumento sobre por que o fosso cada vez maior entre ricos e pobres, em termos de riqueza e renda, é ruim para todo mundo ─ inclusive para os super-ricos, a não ser que eles queiram viver para sempre enclausurados em seus bunkers lindamente decorados.

Livre mercado?

A questão é que o funcionamento dos mercados, em nosso mundo globalizado moderno, tanto leva à extrema concentração de riqueza quanto a resultados cada vez mais irracionais no que se refere à alocação de fundos para combater ameaças ou promover bens públicos.

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Ampliação da desigualdade de renda preocupa economistas e governos.                  (foto reuters)

Essa é uma das razões pelas quais tanto o FMI (Fundo Monetário Internacional) quanto políticos de esquerda e de direita não vêm mais encarando com leveza o aumento do abismo entre ricos e pobres como um mal talvez custoso, mas necessário “para promover o crescimento”.

Trata-se, na verdade, de como um século de estreitamento das desigualdades agora parece dar sinais de marcha à ré.

Para ser mais claro: na segunda-feira, a ONG britânica Oxfam divulgou um estudo prevendo que, em 2016, os 1% mais ricos terão mais dinheiro do que os 99% dos demais habitantes do planeta. A estimativa não me parece de todo implausível.

Um relatório recentemente divulgado pelo banco Credit Suisse revelou que, em 2014, 0,7% das pessoas do mundo com ativos de mais de US$ 1 milhão (R$ 2,65 milhões) controlavam 44% de toda a riqueza mundial.

E uma importante pesquisa conduzida pelos professores Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, da Universidade da Califórnia em Berkeley (Estados Unidos) e da LSE (Inglaterra) mostrou que os 0,1% americanos mais ricos ─ ou 160 mil famílias, com patrimônio médio de cerca de US$ 73 milhões (R$ 194 milhões) cada ─ detêm mais de um quinto de toda a riqueza do país, ou o mesmo montante controlado pelos 90% dos americanos mais pobres.

Existem todos os tipos de razões pelas quais tais aumentos na desigualdade são preocupantes, e não apenas para aqueles que estão na base da renda e da pirâmide de riqueza.

Uma delas é que pessoas de ambição com rendimentos mais baixos são incentivadas a assumir grandes dívidas para sustentar seus padrões de vida ─ o que agrava a tendência de altos e baixos da economia.

Outra é que os pobres gastam mais do que os ricos de forma agregada e, portanto, o crescimento tende a ser mais rápido quando a renda é distribuída mais uniformemente.

Então o discurso do Estado da União de Obama, o qual se espera que contenha uma proposta para a tributação dos mais ricos, talvez deva ser visto como uma tentativa tardia de promover a estabilidade econômica e social que beneficiará ainda mais os ricos ─ mas que será muito provavelmente barrada pelo Congresso, hoje de maioria republicana.

E o mais impressionante é a crescente percepção, inclusive por parte dos super-ricos, de que já não é tão simples argumentar que a “igualdade de oportunidades” é tudo o que importa.

Ou melhor, não pode haver igualdade de oportunidades em um mundo onde existe um tipo de desigualdade que não temos visto desde as primeiras décadas do século passado

fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/01/150119_analise_desigualdade_ricos_lgb.shtml

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Dilma es inquebrantable, con ella no podrán

por  Ilka Oliva Corado,  no blog da Telesur

Debimos haberla matado, se habrán repetido cientos de veces sus torturadores cuando la vieron convertirse en la primera mujer presidenta de Brasil.  O hubieran querido que también como a Evita, el cáncer la desapareciera (momentáneamente, porque es inmortal) del escenario político. Hay un antes y un después de Dilma en Brasil y en América Latina.  Una mujer presidente venciendo al patriarcado. A la inequidad de género. Una mujer que desde el gobierno ha creado políticas de inclusión de género. Políticas sociales que han beneficiado a millones de parias que la oligarquía solo puede ver como peones y a los que ha explotado durante siglos y quiere seguir explotando.

dilma com flor

La vida de las mujeres  siempre ha sido cuesta arriba, seguimos luchando contra el peor de los enemigos: el patriarcado, de donde se deriva la misoginia y el machismo que tanto daño nos hace como sociedad y género.  Mucho más difícil aún es para las mujeres que se atreven a desafiar los límites y las normas impuestas y participan activamente en política. Ser mujer, tener arrestos y la dignidad y  la capacidad de dirigir una nación se paga caro en América Latina, si lo sabrán Cristina y Dilma.

Ambas mancilladas. Muchos de los análisis post golpe a Dilma, escritos por intelectuales y analistas políticos internacionales  la condenan y la culpan por ser mujer.

Análisis hechos desde el patriarcado, subjetivos, con un alto nivel de misoginia y estereotipos. Con todo tipo de insultos, menosprecio y falacias.

A Dilma este golpe fraudulento se le ha dado desde la traición, el odio, el celo, desde el sentimiento de inferioridad por esa razón ha sido con saña. Un ataque contra el progresismo y la democracia que se gestó desde que Lula llegó a la presidencia y que aumentó la dosis de odio cuando fue Dilma la que tomó la batuta: demasiadas mujeres en el gobierno, demasiados afro descendientes, algo que no soportó el clasismo y la oligarquía y mucho menos el patriarcado.

Demasiados beneficios para los más golpeados del sistema, olvidados y  explotados.  Demasiada plusvalía para los parias, demasiada vida para las favelas.  Demasiada visibilidad para las mujeres y demasiados derechos para la comunidad LGBTI.  Desde ningún punto de las ideologías, del clasismo, de la opresión, de la visión neoliberal o de la democracia se puede negar el avance que ha tenido Brasil con Dilma como presidenta.

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PRESIDENTA, FALE CONOSCO

Por Leila Jinkings

“Ainda vivemos o festival de besteiras que foi cultivado pela ditadura de várias formas:
1- Reprimindo e assassinando as melhores cabeças da sociedade;
2- Censurando e desincentivando a cultura;
3- Criando um mecanismo de controle das mentes via televisão, por meio de uma rede monstruosa, que cobre quase 100% da população;
4- Destruindo as bibliotecas públicas;
5- A edição de livros só agora, nas últimas décadas, voltou a fazer parte da vida dos brasileiros, mesmo assim com preços elitistas, sem o incentivo necessário;
6- Educação pública desmantelada, para favorecer a Educação como comércio .

E por aí vai. Stanislaw Ponte preta jamais poderia imaginar que o festival de besteiras iria assolar o país de forma tão intensa. Ele não iria suportar ver tanta burrice.”

Eu deixei o comentário acima em uma postagem de Sidnei Pires dirigida aos “revoltadinhos” no facebook.

Algo me assombra e desde o segundo turno vem me deixando intrigada: Porque será que a Presidenta não usa a prerrogativa constitucional que tem de falar em rede de rádio e televisão? Incompreensível! É a única forma de falar diretamente ao povo, sem a intermediação nefasta da mídia. manipulacao-massificacao

A televisão é um bem público. É patrimônio inalienável da sociedade e funciona em regime de concessões, que deveriam ser analisadas e renovadas de forma séria, com o controle da sociedade. Mas no Brasil, foi construída uma rede inteira de radiodifusão financiada pelo regime ditatorial implantado em 1964.

A falta da regulação, ditada pela nossa Constituição Cidadã, já derrubou presidentes a satisfazer seus interesses comerciais que resvala, claro, no político. Derrubou João Goulart, quando ele quis atender as Reformas de Base até hoje difíceis de implantar, face aos negócios inescrupulosos que envolvem a mídia e o poder econômico. Goulart mandara um decreto democratizando a comunicação e os concessionários criaram a Abert para derrubá-lo ponto a ponto, em conluio com os parlamentares corruptos e conservadores. Os mesmos que hoje, criminosamente, ferem a Constituição ao terem o controle de rádios e de canais de TV.

Para quem não sabe, a Constituição Cidadã de 1988 fala de forma clara sobre a Comunicação. O poder, que inclui até juízes do supremo, finge ignorar que: as concessões são um bem público e que devem ter a participação da sociedade na sua regulação; que a Constituição proíbe que parlamentares sejam donos ou sócios de qualquer concessão ou seja rádio e Televisão; que é proibida a Propriedade Cruzada e deveria ser limitado o número de repetidoras de uma mesma rede.

Cadeia da produção cultural

A ignorância sobre o assunto é tanta, que muita gente que seria beneficiada com a Democratização vai no canto da sereia, compra todo o discurso que a mídia enfia na nas cabeças e mentes pelo Brasil a fora. Um exemplo claro é o que envolve a questão da propriedade cruzada, quando se proíbe que um grupo seja dono de vários tipos de mídia. É a chamada indústria cultural: se a TV é dona da gravadora, da produtora, do estúdio, da distribuidora, do rádio e da TV, só faz sucesso o que eles permitem seja no Cinema, na Música, no Teatro e onde mais houver interesse. Inibem toda uma cadeia de produção e realização. Um dos muitos textos que foram publicados sobre o assunto é o de João Brant, “Porque limitar a Propriedade Cruzada”, no Observatório de Imprensa.

Os realizadores de Cinema Independente sabem muito bem do que estamos falando. A aprovação da “Lei Jandira Feghali” ou “Lei do Conteúdo”, que regulamenta o artigo 221 da Constituição e estabelece a obrigatoriedade de veiculação de programação regional e independente nas emissoras de TV, é um marco, uma conquista. Trata de produção, difusão e comercialização do audiovisual no Brasil.

Encerro, sugerindo leituras. Há dois livrinhos básicos, bem fininhos, mas de conteúdo cristalino e que poderá ajudar aos interessados entender com mais profundidade e , quem sabe, caminhar para outras leituras mais complexas. O 1º é de um paraibano, o respeitadíssimo professor Bolaño, editado pela Paulus: “Qual a Lógica das Políticas de Comunicação no Brasil?”; o 2º é do Le Monde diplomatique, editado pelo Instituto Paulo Freire: “Caminhos para uma Comunicação Democrática”

Presidenta, por favor, use a Rede de Televisão e Rádio. Fale Conosco, Presidenta.   #faleconoscoPresidenta


Na Revista Rolling Stone, em 2007:
“Donos de TVs e rádios, parlamentares desrespeitam a constituição
Pelo menos 80 parlamentares são donos de concessões públicas de rádio e TV, contrariando a Constituição. Como?” http://rollingstone.uol.com.br/edicao/7/donos-de-tvs-e-radios-parlamentares-desrespeitam-a-constituicao#imagem0

Do Prof Venício Lima:
– Os interesses explicitados http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/os-interesses-explicitados
– Propriedade cruzada: Grande mídia perde mais uma na Justiça
(http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/Propriedade-cruzada-Grande-midia-perde-mais-uma-na-Justica/26802)
– Porque limitar a propriedade cruzada. (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/por_que_limitar_a_propriedade_cruzada)

Mais sobre propriedade cruzada:
– Lobby das gravadoras e propriedade cruzada (http://www.overmundo.com.br/overblog/lobby-das-gravadoras-e-propriedade-cruzada)
– Por que limitar a propriedade cruzada, João Brant. (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/por_que_limitar_a_propriedade_cruzada)

Ver TV:  – programa que discute a televisão com diversos segmentos da sociedade. Imprescindível. Passa na TV Brasil, mas voce pode assistir no site aqui http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv

Textos sobre Concessão:
– Donos da Mídia: http://www.donosdamidia.com.br/
– Os Donos da Mídia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Donos_da_M%C3%ADdia
– ENTREVISTA / DANIEL HERZ – Quem são os donos da mídia no Brasil – http://www.observatoriodaimprensa.com.br/cadernos/cid240420021.htm
– FENAJ: “Donos da Mídia”: uma ferramenta poderosa para democratizar a comunicação http://www.fenaj.org.br/materia.php?id=2323
– INTERVOZES: RENOVAÇÃO AUTOMÁTICA: Legislação precária e burocracia transformam concessões em capitanias hereditárias. http://www.intervozes.org.br/arquivos/interrev001crtodnc
– ALARCON, Anderson de Oliveira. A televisão e o instituto da concessão pública. Jus Navigandi, Teresina, ano 10, n. 891, 11 dez. 2005. http://jus.com.br/artigos/7654/a-televisao-e-o-instituto-da-concessao-publica#ixzz3Kw1RRP7M


ARTIGO: Desculpe-me, mas você é um inocente útil

Diferente do “Batman”, Joaquim Barbosa, que mora em apartamento funcional e comprou de forma imoral uma residência de um milhão de reais em Miami (http://migre.me/gFTLQ), Genoíno mora na mesma casa e na mesma rua, nunca morou em condomínio fechado ou algo que o valha, nem deu sinais de riqueza.

viaARTIGO: Desculpe-me, mas você é um inocente útil.

viaARTIGO: Desculpe-me, mas você é um inocente útil.


Lua Nova do Penar – trailer

Lua Nova do Penar (Grieving New Moon) – trailer
versão com audiodescrição

Documentário de Leila Jinkings e Sidnei Pires

Hiram Pereira, jornalista, ator e poeta, desaparecido na ditadura no Brasil. As filhas se encontram para falar sobre o pai através da música, elemento unificador no cotidiano da família.
participação em festivais: “Melhor documentário” no IIDFF (Grécia), seleção oficial no MWIFF (Índia) e no DSIFF (Índia) , todos em outubro de 2013.
Recife – 2013 – color 27′
Audiodescrição feita pela Central Dubrasil; voz Hermes Barolli

Grieving New Moon, color, 27′
Hiram Pereira, journalist, actor and poet, who disappeared during the dictatorship in Brazil. The daughters meet to talk about his father through music, unifying element of the family routine.
participation in festivals: “Best Documentary” at IIDFF (Greece), official selection MWIFF (India) and DSIFF (India), all in October 2013.

Luna Nueva del Dolor, color, 27′
Hiram Pereira, periodista, actor y poeta, que desapareció durante la dictadura en Brasil. Las hijas se reúnen para hablar de su padre a través de la música, elemento unificador de la rutina familiar.
participación en festivales: “Mejor Documental” en IIDFF (Grecia), la selección oficial en MWIFF (India) y DSIFF (India), todos ellos en octubre de 2013.


O samurai e o guerrilheiro

O editorial desta semana de Mino Carta merece ser lido na íntegra. Muito comovente o trecho que transcrevo:

Luiz_Gushiken_crop Ocorre-me um amigo que eu chamava de samurai, Luiz Gushiken, ministro de Lula no primeiro mandato, primeira vítima do “mensalão” sem qualquer culpa em cartório, de fato aquele que percebeu o papel devastadoramente daninho do banqueiro Daniel Dantas, visceralmente envolvido no processo e tão chegado a petistas de outro naipe, como Márcio Thomaz Bastos, José Dirceu, Luiz Eduardo Greenhalgh, sem contar o atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Gushiken morreu dia 13 passado, honrado e, receio, infeliz.

Jose Genoino/AEOutro injustiçado é José Genoino, que, segundo Veja, gargalha com o voto de Celso de Mello. A malta não sabe que Genoino é um herói brasileiro, esperançoso e iludido até as últimas consequências, acreditou que o Araguaia seria a Sierra Maestra brasileira, e, ao lado de 80 companheiros, lutou contra 10 mil soldados da ditadura. Torturado brutalmente, ressurgido das cinzas, ainda espera que o Brasil deixe de ser o país da casa-grande e da senzala. Ao contrário do que afirmam seus inquisidores a pretendê-lo “mensaleiro”, não sabe onde cair morto, se me permitem a linguagem rasteira.

fonte: http://www.cartacapital.com.br/revista/768/uma-capa-resume-tudo-8663.html


Sandra Ramírez fala sobre Paz

As Farc “usam armas para serem ouvidas”

por Patrica Grogg, da IPS

Sandra As Farc “usam armas para serem ouvidas”

Sandra Ramírez diante do Malecón de Havana. Foto: Patricia Grogg/IPS

Havana, Cuba, 28/9/2012 – É difícil imaginá-la vestida de guerrilheira, carregando uma mochila de 25 quilos, repelindo a tiros o ataque inimigo ou buscando refúgio para evitar os bombardeios aéreos. É conhecida como Sandra Ramírez e deixou o cenário de guerra colombiano para viajar à capital cubana para falar de paz. Até agora, é a única mulher, conhecida publicamente, envolvida nas conversações exploratórias entre delegados das insurgentes Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) e do governo desse país, encabeçado por Juan Manuel Santos, para iniciar um diálogo destinado “à construção de uma paz estável e duradoura”.

Quando foi vista chegando ao primeiro encontro com a imprensa, oferecido em agosto, em Havana, por representantes das Farc, nem todos os jornalistas sabiam quem era. Logo a informação corria pelo salão: entre os negociadores iniciais figura a companheira de “Manuel Marulanda”, nome de guerra de Pedro Antonio Marín, fundador e líder da guerrilha mais antiga da América Latina.

Uma das interpretações de sua presença nestas reuniões é que reafirma a continuidade de um processo iniciado por Marulanda, morto em razão de uma parada cardíaca, em março de 2008. “É seu legado que está presente. Durante seus 60 anos de luta esteve buscando uma saída política para o conflito, e essa sempre foi nossa vocação”, afirmou Sandra em entrevista exclusiva à IPS.

“Ao lado do comandante Marulanda aprendi o amor a esta causa que levamos, o que, definitivamente, implica um compromisso muito maior. Trabalhamos juntos muitos anos, compartilhamos muitíssimas coisas”, acrescentou em certo momento, quando as emoções puseram em risco sua fala pausada e calma. Sandra é filha de uma família de camponeses numerosa – “éramos 15 irmãos, as opções de vida eram escassas, sobretudo para nós, mulheres” – e uniu-se à guerrilha aos 17 anos.

Em maio completou 48 anos e não se arrepende do caminho escolhido. Na montanha aprendeu enfermagem e comunicações e integrou o corpo de guarda dos “camaradas” da direção nacional das Farc. Ao que parece, foi assim que se aproximou sentimentalmente de Marulanda, a quem acompanhou e cuidou nos últimos anos de vida. A imprensa colombiana recorda de vê-los juntos, dez anos atrás, nas conversações de paz entre as Farc e o governo de Andrés Pastrana (1998-2002), no município de San Vicente del Gaguán.

IPS: Aqueles diálogos fracassaram. Qual sua expectativa com este que começará em Oslo no dia 8 de outubro e que, se prevê, continuará em Havana?

Sandra Ramírez: Estamos iniciando este novo processo para ver se, com o esforço de todos, da guerrilha, do governo e do povo da Colômbia, conseguiremos uma solução política para o conflito. As possibilidades de êxito sempre estão presentes, o problema é que a oligarquia colombiana sempre se negou a ceder um milímetro de seu status de poder, a partir do qual elimina o opositor a tiros.

IPS: Considera possível conversar de paz sem cessar as hostilidades?

SR: O governo de Álvaro Uribe (2002-2010) se caracterizou pela violência extrema, não abriu as portas à paz. Agora a correlação de forças é diferente, tanto dentro do país quanto no entorno da Colômbia, com governos democráticos como os de Venezuela, Bolívia ou Equador. Os povos estão adotando outras formas de luta e isso incide no povo colombiano. A decisão é sentar e conversar, mas a lógica e o próprio cenário nos dirão se haverá, ou não, cessar-fogo que, ocorrendo em algum momento, terá que ser bilateral. Continue lendo


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