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Den Bosh, a terra de Jheronimus Bosh

 

fotografia As esculturas e os vitrais da Catedral de São João

As esculturas e os vitrais da Catedral de São João

catedral de sao joao

os vitrais da Catedral de São João

Reencontrei, na Holanda, um amigo querido que não via há quase 30 anos. Ele me “descobriu” via face (por essas e outras é que ainda não saí dessa rede) e nos encontramos. Cada um acompanhado das respectivas mães (rsss). Foi um dia lindo, nos divertimos muito.

claudio_papo_com_Jheronimus

Claudio ouvindo o que conta Jheronimus Bosh

Claudio nos levou a conhecer Den Bosh ( s’ Hertogenbosch), cidade de predominância católica, com características arquitetônicas medievais muito bem conservada. 

 

 

Percorremos a Catedral de São João, para contemplar a riqueza da arquitetura, com seus vitrais, além de pinturas e esculturas belíssimas.

 

trípticos

trípticos

trípticos em madeira

trípticos em madeira

 

Mas o que nos deixou absolutamente extasiadas (minha mãe, a mãe de Claudio e eu) foi a obra de Jheronimus  Bosh distribuídas por toda a área da catedral. De tirar o folego. Salvador Dali, seguramente, bebeu muito nessa fonte.

 

figuras do jardim das delicias

as figuras de O Jardim das Delícias

 

Representações surrealistas em painéis cheios de figuras estranhas e simbolismos. Uma das mais empolgantes é o Jardim das Delícias, um tríptico em madeira em que ele representa, em tres paineis, a visão do que seria o paraíso celeste , o paraíso terrestre e o inferno. Impressiona como ele retrata os medos e os monstros da sociedade, com seus demonios. Fala de sentimentos maus, da cobiça da avareza, das taras, incluindo os religiosos e a hipocrisia da igreja.

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O Jardim das delícias

os trípticos

os trípticos de Jheronimus Bosh

 

 

Foi um presente de Claudio. Usufruir a arte de Bosh e em tão boa companhia.

 

 

 

teresa e isa

bossche bol – Teresa e Isa : a “partilha dos pães”

 

Antes de pegar o trem de volta – Claudio e Teresa para Roterdã e mamãe e eu para Utrecht – nós fomos comer o famoso doce típico de Den Bosh, o bossche bol. Ana Isa recomendou que não perdessemos a oportunidade, ao nos deixar na estação em Utrecht. É mesmo uma delícia, lembra um profiterole gigante.

 

 

 

 

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PRESIDENTA, FALE CONOSCO

Por Leila Jinkings

“Ainda vivemos o festival de besteiras que foi cultivado pela ditadura de várias formas:
1- Reprimindo e assassinando as melhores cabeças da sociedade;
2- Censurando e desincentivando a cultura;
3- Criando um mecanismo de controle das mentes via televisão, por meio de uma rede monstruosa, que cobre quase 100% da população;
4- Destruindo as bibliotecas públicas;
5- A edição de livros só agora, nas últimas décadas, voltou a fazer parte da vida dos brasileiros, mesmo assim com preços elitistas, sem o incentivo necessário;
6- Educação pública desmantelada, para favorecer a Educação como comércio .

E por aí vai. Stanislaw Ponte preta jamais poderia imaginar que o festival de besteiras iria assolar o país de forma tão intensa. Ele não iria suportar ver tanta burrice.”

Eu deixei o comentário acima em uma postagem de Sidnei Pires dirigida aos “revoltadinhos” no facebook.

Algo me assombra e desde o segundo turno vem me deixando intrigada: Porque será que a Presidenta não usa a prerrogativa constitucional que tem de falar em rede de rádio e televisão? Incompreensível! É a única forma de falar diretamente ao povo, sem a intermediação nefasta da mídia. manipulacao-massificacao

A televisão é um bem público. É patrimônio inalienável da sociedade e funciona em regime de concessões, que deveriam ser analisadas e renovadas de forma séria, com o controle da sociedade. Mas no Brasil, foi construída uma rede inteira de radiodifusão financiada pelo regime ditatorial implantado em 1964.

A falta da regulação, ditada pela nossa Constituição Cidadã, já derrubou presidentes a satisfazer seus interesses comerciais que resvala, claro, no político. Derrubou João Goulart, quando ele quis atender as Reformas de Base até hoje difíceis de implantar, face aos negócios inescrupulosos que envolvem a mídia e o poder econômico. Goulart mandara um decreto democratizando a comunicação e os concessionários criaram a Abert para derrubá-lo ponto a ponto, em conluio com os parlamentares corruptos e conservadores. Os mesmos que hoje, criminosamente, ferem a Constituição ao terem o controle de rádios e de canais de TV.

Para quem não sabe, a Constituição Cidadã de 1988 fala de forma clara sobre a Comunicação. O poder, que inclui até juízes do supremo, finge ignorar que: as concessões são um bem público e que devem ter a participação da sociedade na sua regulação; que a Constituição proíbe que parlamentares sejam donos ou sócios de qualquer concessão ou seja rádio e Televisão; que é proibida a Propriedade Cruzada e deveria ser limitado o número de repetidoras de uma mesma rede.

Cadeia da produção cultural

A ignorância sobre o assunto é tanta, que muita gente que seria beneficiada com a Democratização vai no canto da sereia, compra todo o discurso que a mídia enfia na nas cabeças e mentes pelo Brasil a fora. Um exemplo claro é o que envolve a questão da propriedade cruzada, quando se proíbe que um grupo seja dono de vários tipos de mídia. É a chamada indústria cultural: se a TV é dona da gravadora, da produtora, do estúdio, da distribuidora, do rádio e da TV, só faz sucesso o que eles permitem seja no Cinema, na Música, no Teatro e onde mais houver interesse. Inibem toda uma cadeia de produção e realização. Um dos muitos textos que foram publicados sobre o assunto é o de João Brant, “Porque limitar a Propriedade Cruzada”, no Observatório de Imprensa.

Os realizadores de Cinema Independente sabem muito bem do que estamos falando. A aprovação da “Lei Jandira Feghali” ou “Lei do Conteúdo”, que regulamenta o artigo 221 da Constituição e estabelece a obrigatoriedade de veiculação de programação regional e independente nas emissoras de TV, é um marco, uma conquista. Trata de produção, difusão e comercialização do audiovisual no Brasil.

Encerro, sugerindo leituras. Há dois livrinhos básicos, bem fininhos, mas de conteúdo cristalino e que poderá ajudar aos interessados entender com mais profundidade e , quem sabe, caminhar para outras leituras mais complexas. O 1º é de um paraibano, o respeitadíssimo professor Bolaño, editado pela Paulus: “Qual a Lógica das Políticas de Comunicação no Brasil?”; o 2º é do Le Monde diplomatique, editado pelo Instituto Paulo Freire: “Caminhos para uma Comunicação Democrática”

Presidenta, por favor, use a Rede de Televisão e Rádio. Fale Conosco, Presidenta.   #faleconoscoPresidenta


Na Revista Rolling Stone, em 2007:
“Donos de TVs e rádios, parlamentares desrespeitam a constituição
Pelo menos 80 parlamentares são donos de concessões públicas de rádio e TV, contrariando a Constituição. Como?” http://rollingstone.uol.com.br/edicao/7/donos-de-tvs-e-radios-parlamentares-desrespeitam-a-constituicao#imagem0

Do Prof Venício Lima:
– Os interesses explicitados http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/os-interesses-explicitados
– Propriedade cruzada: Grande mídia perde mais uma na Justiça
(http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/Propriedade-cruzada-Grande-midia-perde-mais-uma-na-Justica/26802)
– Porque limitar a propriedade cruzada. (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/por_que_limitar_a_propriedade_cruzada)

Mais sobre propriedade cruzada:
– Lobby das gravadoras e propriedade cruzada (http://www.overmundo.com.br/overblog/lobby-das-gravadoras-e-propriedade-cruzada)
– Por que limitar a propriedade cruzada, João Brant. (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/por_que_limitar_a_propriedade_cruzada)

Ver TV:  – programa que discute a televisão com diversos segmentos da sociedade. Imprescindível. Passa na TV Brasil, mas voce pode assistir no site aqui http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv

Textos sobre Concessão:
– Donos da Mídia: http://www.donosdamidia.com.br/
– Os Donos da Mídia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Donos_da_M%C3%ADdia
– ENTREVISTA / DANIEL HERZ – Quem são os donos da mídia no Brasil – http://www.observatoriodaimprensa.com.br/cadernos/cid240420021.htm
– FENAJ: “Donos da Mídia”: uma ferramenta poderosa para democratizar a comunicação http://www.fenaj.org.br/materia.php?id=2323
– INTERVOZES: RENOVAÇÃO AUTOMÁTICA: Legislação precária e burocracia transformam concessões em capitanias hereditárias. http://www.intervozes.org.br/arquivos/interrev001crtodnc
– ALARCON, Anderson de Oliveira. A televisão e o instituto da concessão pública. Jus Navigandi, Teresina, ano 10, n. 891, 11 dez. 2005. http://jus.com.br/artigos/7654/a-televisao-e-o-instituto-da-concessao-publica#ixzz3Kw1RRP7M


Tatuagem de mulher

 

Salomão Laredo, amigo, escritor paraense, jornalista. Olhar aguçado e atento nas páginas do jornal (O LIberal de 27 fev 2013) pinçou este anúncio tão revelador para quem se detém a ler. Passaria despercebido. Mas Salomão recortou porque percebeu ali a história de pessoas que amaram e foram amadas, que sofreram, que morreram. Morreram sem que ninguém tenha sabido ou tido condições de resgatá-las. Estão ali nas gavetas, anunciadas por um pequeno anúncio que pretende formalizar a iminência de serem enterrados na vala comum, como indigentes.
Uma dessas pessoas, que agora é um “cadáver ignorado”, tem uma tatuagem com o nome de uma mulher – Any Karina – e uma águia. O outro tem o nome de uma mulher – Thamires – ladeado por dois corações e mais o rosto de uma mulher, um duende e um símbolo da paz (hippie).
Os 3 “cadáveres ignorados” tem de 30 a 50 anos e são do sexo masculino. Um pequeno anúncio e … E adeus de ninguém. E acabou a história.

tatuagem em cadaver

Segue o texto de Salomão Laredo:
“CADÁVERES NÃO RECLAMADOS
Para onde a dor, o amor, a flor, o choro, a vela, o velório, o rio de lágrimas, a essa, sem encomendação, sem missa de corpo presente, de sétimo dia, sem dia, sem acompanhamento? dilema sem poema que dilacera a alma na lama podre do abandono ? Viver, é isso ou esse sem essa é a resultante do não viver?
Salomão Larêdo, escritor e jornalista
É o título da chamada por edital do Instituto Médico Legal – veja e leia atentamente caro leitor porque foi publicado nos jornais e se você leitor deste nossos blog, não leu, pode ler ou reler em nosso blog e leia e releia com calma, analisando a situação para sentir o drama, perceber as narrativas descritivas de cada corpo inanimado e tatuado com nomes evocativos certamente de um ser que aquele corpo amou ou quis amar ou pretendia amar ou homenagear. Essa matéria sei em nosso blog, pois não sei se algum leitor atentou para este edital ou chamada como queira denominar. Chamo a atenção do leitor deste blog que, um ser humano, depois de um peregrinar difícil no mundo, no Brasil, na Amazônia, no Pará, em Belém ou no interior do Pará, a pessoa humana vira um código, um número, um indigente que não é é gente e indigente que será enterrado de maneira ignorada , talvez como tenha vivida E depois de cinco anos desse enterro dentro “ nos padrões de enterro” segundo a nota , haverá o desenterro para que os ossos sejam depositados na chamada vala comum para o esquecimento total e eterno. E como não há nenhum resquício de algum bem material ou intelectual , segue-se o esqueci mento total, eterno. Eta capitalismo da selva que não salva nem choro e nem vela e muito menos uma fita amarela, como diz a música, gravado o nome dele ou dela Descanso eterno dai-lhe Senhor!!!”


O REINO ENCANTADO DE LOBATO

LEGADO – personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo rendem homenagem ao “pai” Lobato

Reinações de Narizinho colocou no mundo os personagens do sítio de Dona Benta

de Leila Jinkings

Vó Laura chegava, diariamente, às 4 da tarde. Tinha encontro marcado comigo e com meus quatro irmãos, para nos levar ao mundo da fantasia. Era uma hora mágica.  Em estado de hipnose,  enquanto ela lia os livros de Monteiro Lobato, com aquela vozinha doce, de onde saiam tantas aventuras. Ficamos íntimos dos moradores do sítio. Narizinho, menina sonhadora e valente, Pedrinho, menino corajoso e aventureiro que não tinha medo de nada  (só de abelha), e Emília, a boneca espevitada e inteligente, cuja rebeldia nos encantava.

Inspirada na vó Laura, reunia minhas filhas, Isadora e Maeve e os filhos da minha irmã Nise, Isabella e Lênin, para contar histórias. Li para eles “Reinações de Narizinho”, Histórias de “Dona Benta”, “Fábulas”, “Aritmética da Emília”, “Caçadas de Pedrinho” e outros. Nem bem aprenderam a ler, foram “iniciados” e cada um escolheu a própria leitura, que começou com os livros de Lobato.

PAI DO SACI

O escritor Monteiro Lobato é mais conhecido, hoje em dia, por causa da série de televisão, O sítio do Pica-Pau Amarelo,  lançada em 1952 pela TV Tupi e posteriormente adquirida pela rede Globo.  As gerações dos anos 1950 a 1970, no entanto, conviveram com os personagens de Lobato com muita intimidade.

Monteiro Lobato, jornalista e escritor, cheio de orgulho pelo país, já havia publicado vários livros antes de voltar-se ao público infantil. Fundou, em 1918, a primeira editora brasileira, a “Monteiro Lobato e Cia”. Antes disso, todos os livros eram impressos em Portugal.

Uma campanha contra o uso de personagens de outras culturas nos espaços voltados à criança, por meio de artigos que escrevia no Estado de São Paulo. O público interagiu de tal maneira, que surgiu dali o perfil do Saci brincalhão e travesso, um personagem genuinamente brasileiro.

Lançado o livro “Saci”, em 1918, Lobato dá a largada: lança, em 1931, Reinações de Narizinho, o primeiro livro infantil brasileiro.  Nascia Dona Benta, Narizinho, Tia Nastácia, Emília, Rabicó, Pedrinho e Visconde de Sabugosa, personagens centrais do Sítio do Pica-pau Amarelo, de onde partem aventuras extraordinárias nas 26 obras legadas por Lobato.

No primeiro livro da série, Reinações de Narizinho,  Monteiro Lobato dá personalidade e voz própria aos personagens, com muita fantasia e imaginação. A menina Lúcia, que responde como Narizinho, vive a primeira aventura viajando pelo fundo do rio que passa pelo sítio da avó, Dona Benta. No Reino da Águas Claras ela conhece “gente” interessante como aranhas, peixes, camarões, caramujos. Casa com o príncipe Escamado, muito galante, e na festa encontra alguns personagens dos contos de fada que fugiam de Dona Carochinha. O Pequeno Polegar, Peter Pan, Pinóquio, Gato Félix e outros que povoam as fantasias infantis.

Emília surge como “uma bonequinha de pano que Narizinho carregava para todo canto”.  Ao tomar a pílula falante do  Dr Caramujo ela começa a falar sem parar e vira a boneca atrevida que aos poucos se torna o personagem mais prestigiado pelo autor. Emília é o alter ego de Lobato. Questiona tudo, desafia poderosos e quer mudar o mundo.

PÉ NO PRESENTE, OLHO NO FUTURO

Monteiro Lobato era um visionário, foi o Visconde de Sabugosa  quem  achou o petróleo brasileiro, quando ninguém acreditava ser viável (“O Poço do Visconde”). Antes da campanha “O Petróleo é Nosso”, abraçada pelos nacionalistas contra os interesses do Império, que já não era de Portugal, já mudara de mãos para os estadunidenses.

Percebe-se que os netos de Dona Benta tem a formação humanista manifestada, por exemplo, no trato com os animais.  Nos capítulos iniciais de “Reinações de Narizinho”, no episódio em que o Dr Caramujo, na falta das pílulas falantes (que estavam sumidas) pretende utilizar uma “falinha de papagaio” tirada do animal. Narizinho recusa e diz que, nesse caso, prefere ver a boneca muda para sempre.

As fábulas falso moralistas de La Fontaine são adaptadas por Lobato, no livro “Fábulas”, no qual a espevitada boneca Emília faz intervenções valiosas. Em uma das fábulas, a da “Cigarra e a Formiga”, em que La Fontaine faz parecer que o lazer e a arte são vagabundagem, ela faz justiça e a cigarra é acolhida pelas formigas, agradecidas por ela ter animado seus dias durante o verão, enquanto trabalhavam. Muito antes de Domenico De Masi (Direito ao Ócio) e contemporâneo aos escritos de  Bertrand Russel (O elogio ao ócio, 1935), Emília já reflete sobre direito à preguiça e  o ócio criativo.

Jeca Tatu, um caboclo que vivia na rede, tomava uns goles de cachaça, não tinha ânimo para o trabalho, foi criado com a intenção de desmistificar a imagem romantizada do homem rural presente na literatura da época. Logo descobriu que eram as mazelas decorrentes do abandono do Estado, que matavam homens, mulheres e crianças do campo, de fome, de verminoses e de doença de chagas. Lobato faz campanha reclamando do descaso do poder público que destina pouca verba para a saúde. O personagem ingênuo e bom cai nas boas graças popular e faz com que Lobato reescreva o personagem, esclarecendo sobre a situação de abandono do homem do campo que as elites teimavam em não perceber. Jeca Tatu é “atendido” e se transforma em um dos personagens mais populares de Lobato, inspirando filmes e até histórias em quadrinhos.

Personagens como a Cuca, o Saci, o Curupira, Iemanjá e outros, que povoavam as assombrações da cultura do imaginário popular, passam a ter voz e cara, por meio do sítio de Dona Benta e até ficam fãs dos irresistíveis  bolinhos da Tia Nastácia.

O valor de Lobato para a literatura infantil é incomensurável. Foi a sua fértil imaginação que proporcionou à turma do sítio descobrir a chave do tamanho (“Chave do Tamanho”), que fazia as pessoas ficaram pequenas ou grandes conforme o giro da chave. Imaginou também pó de pir-lim-pin-pin (que transportava quem o cheirasse, imediatamente, para qualquer lugar pensado). E que dizer do mundo “do faz de conta” de Emília?.  Muitas dessas ideias foram aproveitadas depois em filmes e livros. O filme  “Shrek”, por exemplo,  traz os personagens dos contos de fadas para a atualidade, como ensinou Lobato. O Gato de Botas, o Capitão Gancho, o Peter Pan, a Cinderela,  a Branca de Neve, a Chapeuzinho Vermelho e mais além foram visitar o sítio de Dona Benta e provar o delicioso bolinho da tia Nastácia.

Os personagens da mitologia foram apresentados, com muita informalidade, pelos meninos do sítio a toda uma geração. Muito me impressionou os dois volumes de “Os doze trabalhos de Hercules”, no quais os curiosos Pedrinho, Narizinho, a boneca Emília e o sábio sabugo Visconde de Sabugosa acompanham in loco as missões do mitológico Hercules. A turma já fizera amizade com o herói grego, no livro anterior, “O Minotauro”, e participa ativamente das demais aventuras de Hercules. A mitologia grega é introduzida por Lobato em linguagem divertida e sedutora, atendo-se à Mitologia e reproduzindo as características dos deuses e heróis sem atenuantes.

Monteiro Lobato é, sem dúvida, o mais importante escritor da literatura infanto-juvenil da América Latina. Inspirou, e ainda inspira, aqueles que pensam e escrevem para as crianças. Teve suas obras publicadas pelo mundo todo (na Argentina, por exemplo, foi publicada a obra completa de Lobato, começando por “Travesuras de Naricita”).

Como seria minha vida se não houvesse Lobato. Meu trazia livros de suas idas ao Rio de Janeiro nos anos 60 para (agora eu sei) as reuniões do Partido e do CGT. Eram os presentes mais esperados. Agradeço aos meus pais, a minha vozinha Laura que tornava as histórias mais fantásticas ao nos presentear com a leitura e a Monteiro Lobato.

Leia também: http://grabois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=8&id_noticia=8130


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