Amor, Plástico e Barulho, o longa de Renata

De plástico, barulho e seres humanos

por, André Dib

 

Nash Laila e Leo Pyrata em cena romântica de “Amor, Plástico e Barulho” (foto: Toinho Melcop)

Desde a última segunda-feira, o terraço da boate Metrópole, no bairro da Boa Vista, serve de locação para as filmagens do musical “Amor, Plástico e Barulho”. É o primeiro longa de ficção de Renata Pinheiro, que com o marido Sérgio Oliveira na produção ou codireção, assinou os curtas “Superbarroco”, um dos mais premiados de 2009, “Praça Walt Disney”, eleito o melhor de 2011 pela Associação Brasileira dos Críticos de Cinema e o documentário “Estradeiros”, sobre artesãos nômades, pejorativamente chamados de “hippies”.

Agora Renata olha para outra cultura subestimada pelo preconceito: o brega. Não é a primeira vez que ela e Sérgio se dedicam ao tema. Em 2010, ele dirigiu com Petrônio Lorena o curta “Faço de mim o que quero”, projeto idealizado por Renata, que não pode estar à frente por estar envolvida em outros trabalhos. Ainda assim ela assina a coreografia final, em que os créditos estão marcados no corpo dos bailarinos, que Renata define como embrião do novo projeto.

Quando a reportagem chegou ao set, o terraço já estava transformado em casa de shows com pisca-piscas, luminárias recicladas no formato de abacaxis e folhagens de todo o tipo. A equipe converge seu trabalho para o palco, onde se apresentam Jaqueline (Maeve Jinkings) e Alan (Samuel Vieira, baixista da Mombojó). Juntos, eles fazem uma performance erótico-pornográfica, em que dançam e cantam uma música de DJ Dolores, composta especialmente para o filme.

Renata Pinheiro dirige atrizes; em primeiro plano, Maeve Jinkings (foto: Toinho Melcop)

Em conversa com a Folha, Renata diz que seu filme não trata somente do brega, mas das dificuldades e sucessos dos artistas da periferia, o que percebeu ao viajar com uma ban­da no interior paraense. “São pessoas que trabalham em um showbizz precário, periférico, feito de sonhos e decep­ções. A linguagem do musical surge quando o filme entra no mundo subjetivo de Chelly (Nash Laila, de “Deserto Feliz”), dançarina novata que deseja virar cantora”.

Natural do Pará, Maeve tem referências suficientes para encarnar a personagem. Rosto cada vez mais presente em filmes pernambucanos (“O som ao redor”, de Kleber Mendonça Filho, e “Boa Sorte, Meu Amor”, de Daniel Aragão, são apenas os primeiros), em “Amor Plástico e Barulho” ela surge bem diferente do usual, com maquiagem pesada, vestido curto e tamancos de oncinha (o figurino é de Joana Gatis). Eis Jaqueline, líder da banda fictícia Amor com Veneno, inspiração maior de Chelly. Também no elenco está o diretor e ator mineiro Leo Pyrata, no papel de um DJ.

Renata afirma que não procura fazer juízo de valor e que busca com seu longa um meio termo entre o filme de arte e de apelo popular. “Gosto do brega porque ele estimula a sexualidade livre e busca uma sensualidade romântica no caos, contrariando as imposições de mercado”. Por sua vez, Sérgio vê semelhanças entre o brega e o “do it yourself” do punk rock, de acordes restritos e situações precárias. “É um filme político, pois questiona preconceitos da dita classe pensante e por tratar de música e relações descartáveis, que em pouco tempo são jogadas fora como lixo”.

Rodado ao custo de R$ 470 mil, “Amor, Plástico e Barulho” é uma co-produção Brasil (Aro­ma Filmes) / França (Neon Produc­tions) / Argentina (Milk Wo­od), realizada com recursos obtidos via edital do Funcultura / Governo do Estado. O set bilíngue é visto por Sérgio como a possibilidade de dialogar com outras cinematografias, além de abrir espaço para a circulação do filme em outros países.

(Folha de Pernambuco, 04/10/2012)

http://andredib.com/2012/10/04/sobre-plastico-barulho-e-seres-humanos/


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