Doce descoberta

Fui, ontem, assistir ao filme AS PRAIAS DE AGNÈS, de Agnès Varda. Está em cartaz, aqui no recife, no Cinema da Fundação. Foi uma doce descoberta, dessa cineasta incrível. O machismo, seguramente, a deixou menos conhecida aqui no Brasil. Os filmes dela simplesmente nunca entraram em circuito, salvo em mostra especial no CCBB.

O filme é lindo, poético. Agnès Varda faz uma espécie de memorial. Ela fala das lembranças de toda a vida, desde o nascimento, cujo referencial é a praia, que explica o título do filme. São praias, pessoas, histórias. Ela vai contando a vida dela diretamente para o espectador.  Insere cenas de filmes que tem a ver com aquelas lembranças. Elementos da vivência dela ou de pessoas com as quais conviveu, identificadas nos vários filmes que ela menciona. Acontecimentos como a 2ª guerra, a triste perseguição aos judeus, na França; passa pela China e se impressiona com a Revolução Cultural; nos Estados  Unidos, com as manifestações contra a guerra do Vietnã e com os Panteras Negras. Viaja ainda a Cuba, onde se encanta com a Revolução Cubana e com Fidel Castro.

Ela fala dos filmes, das pessoas com as quais conviveu, da vida familiar, do amor Jacques Demy, com quem foi casada mais de 30 anos. Um momento comovente quando fala da doença (aids) e da morte dele, do carinho que procuraram, ela e os filhos, não deixar faltar. Ela fez um filme de despedida/homenagem ao marido, com a participação dele. Há muita graça no relato, momentos em que ninguém segura o riso. Cenas hilárias de recriações de cenas de filmes, nas locações onde foram realizadas, reencontro com pessoas de vilarejos onde filmou. Catherine Denèuve, Gerard Deperdieu, jane Birkin, surgem em algumas cenas, bem jovens ainda.

Como é que o público brasileiro não conhece um trabalho tão delicado e relevante do cinema. Ela fazia parte, foi precursora, do Nouvelle Vague, ao lado de Alain Resnais, de Jean Luc Godard, de Jacques Demy, de  François Truffaut e outros. Tem uma filmografia respeitável, teve atuação feminista, atuação no meio cinematográfico, no meio fotográfico, uma mulher inteligente e livre. Agnès Vardas tem 80 anos ao realizar o filme, em 2008, e uma energia e um humor encantadores.

Chega, já estou me prolongando. Recomendo a todos que não percam a oportunidade de assistir As praias de Agnèz. Assistam aqui o trailer, que não me deixa mentir🙂


 


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